23/04/2020 às 09h21min - Atualizada em 23/04/2020 às 09h21min

Internações por vias respiratórias indicam Covid subnotificada

Número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2020 é o maior desde 2010, aponta Friocruz. Especialistas afirmam que dados revelam subnotificação do novo coronavírus. Aumento de internações fora de época, idosos como grupo mais afetado e maior percentual de testes negativos para outras gripes são indicativos da Covid-19.

G1
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra um aumento expressivo nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) neste ano no Brasil em comparação com a média dos últimos dez anos.

Esses dados, de acordo com a Fiocruz, infectologistas, epidemiologistas e outros especialistas ouvidos pelo G1, indicam uma subnotificação dos casos da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus Sars-CoV-2.

SRAG, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, é uma doença respiratória grave que exige internação e é causada por um vírus, seja ele o novo coronavírus, o influenza ou outro. Os casos são relatados pelos hospitais ao Ministério da Saúde, e a Fiocruz consolida e divulga esses dados pela plataforma Infogripe.

Na contagem da Fiocruz até 4 de abril deste ano, o Brasil teve 33,5 mil internações por SRAG, muito acima da média desde 2010, de 3,9 mil casos. Mesmo em 2016, quando houve um surto de H1N1, foram registrados 10,4 mil casos no mesmo período do ano.

"O número de casos está muito alto. Completamente fora do padrão", afirma Marcelo Gomes, coordenador do Infogripe, da Fiocruz.

Os motivos, segundo ele, são:

Há mais hospitalizações em decorrência da Covid-19
E a velocidade com que o vírus se espalha é maior que em anos anteriores (há uma "maior rapidez de disseminação")
Um terceiro fator, diz, é que o sistema da Fiocruz passou a receber um número maior de notificações de hospitais privados. Por isso, a comparação deste ano com os anteriores não é perfeita. Mas, segundo Gomes, mesmo descontando os dados de hospitais privados, a alta seria expressiva.

"Outro fator, cuja contribuição não é tão grande, é o fato de que nos últimos anos quem reportava fundamentalmente era praticamente só a rede pública. E, neste ano, a rede privada também passou a reportar. Mas a contribuição não é tão grande quanto os outros [fatores]."

Os cientistas da Fiocruz listam três motivos que apontam o Sars-Cov-2 como o responsável pelo expressivo crescimento dos casos:

aumento das internações fora da época
idosos como os mais afetados
percentual de testes negativos para outras gripes mais alto
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